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Cade aponta preocupações concorrenciais em projetos de lei que propõem regulação de preços durante pandemia

Nota Técnica

Estudo do DEE/Cade apresenta possíveis efeitos negativos na adoção desse tipo de política pública diante da crise do coronavírus
por Assessoria de Comunicação Social publicado: 02/04/2020 14h29 última modificação: 02/04/2020 14h29

O Departamento de Estudos Econômicos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (DEE/Cade) elaborou, nesta semana, notas técnicas nas quais aponta preocupações concorrenciais relacionadas a dois projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional. As propostas tratam do congelamento de preços de medicamentos e do estabelecimento de teto máximo de preços para itens essenciais ao combate do coronavírus, durante o período da pandemia.

Com relação ao Projeto de Lei nº 881/2020, que dispõe sobre o congelamento de preços de medicamentos, o DEE/Cade apresenta diversos pontos que precisam ser vistos com cautela e levados em consideração quando da apreciação da proposta. Segundo a análise técnica realizada, existe a possibilidade de haver efeitos adversos sociais ao se estabelecer o congelamento almejado, tendo em vista que já existe regulação específica sobre precificação de medicamentos no Brasil.

Já sobre o Projeto de Lei nº 1008/2020, que propõe a criação de um preço teto sobre itens considerados essenciais ao enfrentamento de pandemia ou calamidade pública (como, por exemplo, medicamentos, máscara e álcool em gel), o DEE/Cade também se posicionou no sentido de que haja cautela na adoção desse tipo de solução. De acordo com a nota técnica, nesse caso também pode haver efeitos negativos como o desabastecimento do mercado, por exemplo.

“Há que se considerar que congelamentos de preços ou estipulações de preços teto podem ter forte efeito negativo, como desincentivo à produção, à distribuição e à comercialização de bens, caso existam aumentos de custos não acompanhados por possibilidade de repasses do referidos aumentos de custos aos preços. Caso tal hipótese se confirme, é possível haver desabastecimento de medicamentos e de outros itens tidos por essenciais, o que seria um cenário pior em termos econômicos do que a possibilidade de permissão da flutuação dos preços”, aponta o estudo.

As notas técnicas elaboradas pelo DEE/Cade não são vinculativas e foram enviadas ao Congresso Nacional, com o objetivo de fornecer subsídios técnicos ao Legislativo nas discussões que ainda serão realizadas a respeito da matéria.

Acesse a íntegra da Nota Técnica DEE/Cade nº 15.

Acesse a íntegra da Nota Técnica DEE/Cade nº 16.