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Cade condena cartel dos hemoderivados

Condenação

Três empresas e duas pessoas físicas foram multadas em R$ 1 milhão. Acusação foi arquivada quanto aos demais representados
por Assessoria de Comunicação Social publicado: 13/04/2016 17h00 última modificação: 15/04/2016 15h27

Em sessão realizada nesta quarta-feira (13), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica – Cade condenou três empresas e duas pessoas físicas por formação de cartel em licitações promovidas pelo Ministério da Saúde em 2004 para a aquisição de hemoderivados. As multas aplicadas somam R$ 1 milhão (Processo Administrativo 08012.003321/2004-71). 

Foram condenados pelo Cade as empresas The American National Red Cross - ARC, Octapharma AG e Octapharma Brasil S.A., além de Jaisler Jabour (representante da Octapharma) e Marcelo Pitta (representante da empresa ARC). As acusações quanto aos demais representados no processo foram arquivadas. 

O caso teve início a partir de investigações ex-officio promovidas pela extinta Secretaria de Direito Econômico – SDE do Ministério da Justiça em 2004, que passou a analisar a existência de infrações contra a ordem econômica no âmbito da Operação Vampiro – ação da Polícia Federal que desbaratou quadrilha que fraudava licitações do Ministério da Saúde para a compra de hemoderivados. 

De acordo com o Cade, as irregularidades à economia são várias. Entre elas, formação de ajuste entre as ofertantes quando da realização de licitações visando à divisão dos seus lotes; fixação de preços, de modo a impedir que as propostas ficassem abaixo de um determinado valor; direcionamento privado das licitações, através da definição de quem iria vencer determinado certame; e divisão de mercado de produtos entre os membros do cartel. 

“As provas demonstram que o conluio entre concorrentes foi efetivamente implementado, resultando na fixação de preços, divisão de mercado e fraude ao caráter competitivo de licitações públicas. No presente caso, pelo menos cinco certames foram afetados pelo cartel”, disse o conselheiro relator do processo administrativo, Gilvandro de Araújo. 

De acordo com o relator, cartéis em licitações por si só já são nefastos pois prejudicam a prestação de serviço público e representam desvios de dinheiro público, lesando todos os contribuintes. “Mas a gravidade deste caso em questão é ainda mais elevada. A conduta dos representados de angariar preços mais altos afetou a vida de hemofílicos de todo o país, aumentando o custo total da produção e resultando em uma oferta menor de remédios para a população”, concluiu.